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Cantando "O mundo é um moinho", de Cartola, Rafah emocionou o público e fez o técnico Carlinhos Brown chorar |
O Agonizante: Certa vez, você falou que o The Voice seria um trampolim na
sua carreira. Esse salto já aconteceu?
Rafah: Várias propostas já surgiram, mas a gente não pode especular
porque não sabemos o que é certo. Mas, graças a Deus, propostas já surgiram. A
gente está naquela fase de estudos. Como com Natal e Ano novo tudo para, a
perspectiva está muito grande para que agora, em Janeiro, a gente já possa
consolidar algumas coisas. Mas já aconteceram algumas coisas sim, muito boas
por sinal.
OA: Então você, que é formado em radiologia e era entregador, já
pode se garantir como cantor?
Rafah: Agora não é questão nem de garantia. É acreditar na
oportunidade que foi dada, acreditar na benção de Deus na minha vida, e acreditar
nesse caminho musical, nesse caminho que eu gosto de fazer. Na verdade eu não
estou atuando nas entregas, mas meu carro ainda é utilizado. Uma pessoa
trabalha comigo para que eu tenha tempo de resolver essa questão musical. Estou
tendo um pouco mais de tempo, graças a Deus.
OA: Acompanhando os reality
shows musicais, é bem comum que os participantes que saem no meio da
competição tenham mais sucesso que o vencedor quando o programa termina. O que você acredita que seja
mais importante para isso acontecer?
Rafah: O que foi mais importante para mim ali, para que tudo
aconteça agora, foi ser comercial. Explorar a questão de um bom repertório, mas
um repertório que todas as classes sociais pudessem entender a linguagem. Para mim, a receita de tudo isso é ter um trabalho sólido, feito com amor,
e fazer o que você realmente gosta, o que é você, transmitir a verdade através
do seu trabalho. Isso é comercial! Ali, em todo momento do programa, acredito
que eu tenha sido muito intenso em tudo que eu fiz, e isso está repercutindo
muito aqui fora, quando as pessoas me encontram e passam uma mensagem bacana de
carinho.
OA: Como tem sido essa reação do público nas ruas?
Rafah: Eu estava falando
isso com meu pai esses dias. Eu estou achando muito bacana, porque as pessoas
não chegam para falar só da voz e sim de uma coisa muito mais intensa que eu
não consigo explicar ainda. Chegam e me dão um abraço muito forte; pessoas que
chegam com as mãos tremendo, ofegantes. É uma energia muito gigante. Até agora eu
não consegui entender o que de fato explicaria ou definiria qualquer tipo de
coisa. Mas eu acredito que não seja só a voz, deve ser algo mais que eu tenha
passado ali, principalmente na apresentação do Cartola, que repercutiu de uma
maneira muito gigantesca aqui fora. E eu estou, graças a Deus, recebendo muito
carinho, muito apoio, muito incentivo para consolidar uma carreira,
um trabalho. Eu estou muito animado para retribuir todo esse carinho que o povo
está dando e já deu durante o programa e aqui fora também através das redes
sociais.
OA: Você falou em estilo, em ser popular, em ser verdadeiro. Como
alguém de Vila Isabel, é inevitável que a sua imagem esteja relacionada com o
samba. Você pretende cantar somente samba ou música popular brasileira?
Rafah: Eu cresci ouvindo muitas coisas que a minha mãe já admirava.
Cresci ouvindo – por incrível que pareça – Roberto Carlos, Marisa Monte, os primeiros
discos da Ana Carolina, Zélia Duncan, Cazuza. Então a minha influência musical
de criança foi muito voltada para a MPB. Existia uma divisão da MPB, do samba
de raiz, do rock, enfim. Hoje, graças a Deus, a gente conseguiu unir tudo isso,
e tudo se transformou em música popular brasileira. Eu admiro todos os estilos.
Eu não queria ter que limitar esses estilos, já que eu, graças a deus, tenho
facilidade de me adaptar, de me inserir dentro dos estilos. Ali no programa eu
levei uma coisa que eu, realmente, fiz toda a minha vida, que foi cantar samba.
Já tive vários grupos de pagode. Mas também fiz
parte de bandas ecléticas, bandas que fazem flashblack,
cantei músicas que eu jamais imaginei cantar. Foram várias experiências na
minha vida. No programa, realmente, o samba veio me acompanhando, e eu até
agradeço por isso, fico muito feliz. Eu realmente sou do samba, sempre
trabalhei com o samba. Mas também canto outras coisas. Provavelmente, o meu
trabalho vai se resumir numa série de estilos, mas sem perder a minha identidade,
sem perder a minha emoção.
Assista aqui a apresentação de "Não deixe o samba morrer" e, aqui, a apresentação de "O mundo é o moinho".
OA: Então eu posso entender que é uma carreira que vai seguir
solo e popular, mas não só necessariamente com o samba?
Rafah: Devido
a essa série de convites, eu confesso que estou vivendo um dilema. Mas é um
dilema bom. Eu tenho pedido muito a Deus para que me ilumine, me dê
discernimento para que eu faça a escolha certa. Eu confesso que eu estou numa
fase de nem gostando muito de estar
assim, de nem estar dormindo direito. Ando pensando demais e eu sou um cara que
não costumo pensar muito para tomar minhas atitudes. Mas, graças ao programa e a
tudo que aconteceu, vieram muitos convites, e convites bacanas, que estão me
fazendo pensar. Eu ainda não cheguei a uma decisão, mas pode ser solo sim, pode
ser só com samba. Eu recebi um convite que pode me levar para um lado mais
eclético, de inserir todos esses estilos, pegando um público jovem, já é uma
banda que já está no mercado, super popular, e eu recebi o convite de fazer
parte dessa galera.